quinta-feira, janeiro 12, 2006

Direitos, Deveres e a Realidade da Actividade Jornalística

Apesar de neste momento a actividade profissional a que mais me dedico não ser a profissão de jornalista mas a de professor, não esqueço, contudo, todos os anos palmilhados naquela que ainda hoje é uma das minhas paixões profssionais, apenas ultrapassada pelo gosto da docência.
Em todos os anos como jornalista (e acreditem que não foram poucos nem os anos nem os jornais em que "vesti a camisola"), embuído numa aura de ética e brio profissional, sempre apostei em fazer do meu trabalho um espelho do meu próprio carácter. Mas, acredite-se, por favor, é muito complicado. Um dia, Arnaldo Martins (actual editor desportivo do jornal "Matosinhos Hoje" e meu colega como correspondente do Jornal "A Bola" - Porto, e num passado ainda próximo compincha dos bancos da faculdade) disse-me um dia uma célebre e fria expressão: "No jornalismo quem tem ética passa fome". Não vou tão longe nas palavras, porém tal expressão não foge muito à verdade. Isto porque são muitas as pressões que um jornalista tem de combater quase diariamente. E essas pressões começam logo no jornal, na rádio ou no canal televisivo em que trabalhamos, na cadeira do director, na mesa de reuniões de Redacção, do próprio "dono" do meio de comunicação social", etc.
Há que pensar que a actividade jornãlística, em todas as suas dimensões ultrapassam em muito realidades que a sociedade tem como certas de que os jornalistas detêem o poder de influenciar opiniões, de elevar ou destruir a vida privada de esta ou aquela personagem mais ou menos marcante e de que o jornalista é o paladino ou o culpado de todos os males. Nem uma coisa nem outra. No sue percurso de intensão de informar e formar o jornalista vê-se no papel de "atleta", obrigado a ultrapassar numa imensa pista de "tartan" doloroso um longo e por vezes desmotivante caminho. Mesmo assim, a profissão é das mais aliciantes actividades da actualidade, tal é o caudal de experiências que se vive na pele de um intrépido "arqueólogo" dos factos transformados em notícia.
E não é por estar complicado encontrar um emprego que se deve desistir do sonho. Nunca, já que !o sonho comanda a vida!, escreveu António Gedeão, desta feita não como uma "bola olorida nas mãos de uma criança" mas com uma caneta que escreve pedaços rectos de um facto que se quer dar a conhecer ao mundo.

Colocado pelo Professor de Ciências da Comunicação, Artur Santos